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E.U.A. DONALD TRUMP - 45º PRESIDENTE

09 DE NOVEMBRO, QUARTA-FEIRA
Aaron P. Bernstein/AFP
Perfil: o magnata Donald Trump é a voz dos descontentes
Kleber Sales/CB/D.A Press
Donald John Trump, 70 anos, é herdeiro do típico sonho americano. Neto de um imigrante que chegou aos Estados Unidos no fim do século 19, com uma mala na mão, e ergueu um império na construção civil e na especulação imobiliária, tomou por exemplo o avô e acrescentou zeros ao negócio, hoje bilionário. É uma história que agrada a muitos e carrega o mito da América como terra de oportunidades.
O avô Trump começou o negócio no Queens. Trump pai o aperfeiçoou e o neto Donald o levou a Manhattan, onde os homens de negócios da família não ousaram especular. Dizem que, durante um desfile do qual participava como representante da Academia Militar de Nova York, ao passar pelo Columbus Circle, Trump garantiu que um dia possuiria uma propriedade ali onde hoje está a Trump International Hotel and Tower.
Conheça Trump
Dono de uma fortuna de US$ 3,7 bilhões e do 156º lugar no ranking de fortunas da revista Forbes, Trump nasceu rico e elevou o patrimônio da família a um patamar que o avô, Frederick, talvez não imaginasse quando desembarcou do navio que o trouxe da Alemanha em 1885. Formado em economia pela Wharton School of Finance da Universidade da Pensilvânia, com passagem pela Academia Militar de Nova York, o candidato republicano à Casa Branca sempre teve fama de Don Juan. Na escola militar, costumava driblar a disciplina e levar mulheres para o alojamento. O quartel, disse, ajudou a fazê-lo entrar na linha. A disciplina, no entanto, veio acompanhada das características machistas e violentas que impregnam o treinamento dos oficiais.
O candidato republicano ampliou a fortuna investindo no mercado imobiliário, em programas de reality, em cassinos e até em uma companhia aérea. Concorrer à Presidência foi uma espécie de capricho. Mas a novidade e a distância dos meios políticos de Washington o tornaram um candidato viável. A popularidade de Trump sobrevive até aos impropérios sobre imigrantes e às agressões contra mulheres, bem como a dezenas de processos. “Muitos dos apoiadores o veem como alguém que ‘diz a verdade’. Ele não é um político, então eles perdoam comentários ofensivos. E o veem como um lutador, alguém que vai governar de uma perspectiva diferente”, afirma Timothy Hagle, da Universidade de Iowa.
O arrranha-céu era o limite
Frederick C. Trump, o pai, herdou uma empresa de construção e administração de moradias para a classe média em bairros adjacentes de Manhattan, principalmente Brooklyn e Queens. Donald elevou o negócio à escala dos bilhões. Em 1979, adquiriu um terreno na Quinta Avenida, um dos endereços mais caros do mundo, comprou os direitos aéreos do prédio ao lado, da Tiffany & Co., e construiu um complexo de apartamentos e lojas avaliado em US$ 200 milhões. Inaugurada em 1982, a Trump Tower se tornaria o símbolo do estilo de negócios cuja publicidade incluía colocar o nome à frente de todos os empreendimentos.
A televisão entraria na mira do empresário em 2004, com The Apprentice, reality show veiculado pela NBC no qual avaliava candidatos a executivo. Trump detinha ainda os direitos do concurso Miss América, também veiculado pela NBC, mas a emissora cancelou a parceria após avaliar o impacto negativo das declarações machistas e racistas ao longo da campanha.
Nos anos 1980, o candidato investiu em cassinos e hotéis em Atlantic City, incluindo o Taj Mahal, renomeado de Trump Taj Mahal e anunciado como o maior hotel-cassino do mundo. Na época, Trump virou uma espécie de guru do mundo dos negócios, e seu livro A arte da negociação (1987) ficou mais de três meses em primeiro lugar na lista de best-sellers do New York Times. Mas também amargou fracassos, como a empresa aérea que nunca decolou e a tentativa de criar um complexo de estúdios de tevê para rivalizar com a Califórnia. O empreendimento emperrou na burocracia de Nova York.
O próprio Taj Mahal fechou as portas neste ano. Foram ao menos três grandes falências na trajetória do magnata, que perdeu o posto de uma das maiores fortunas do mundo. “Donald Trump nunca ocupou cargo público. No entanto, muitas pessoas gostam de sua sagacidade como homem de negócios e do fato de nunca ter sido político”, aponta Dewey Clayton, professor de ciência política na Universidade de Louisville
Em 1999, Trump manifestou, pela primeira vez, o desejo de disputar eleições. Formou um comitê para cavar vaga nas primárias do Partido da Reforma, que se apresentava como opção aos republicanos e democratas, mas recuou ao perceber que não conseguiria a indicação. Em 2012, anunciou novamente que concorreria e venceu os 16 candidatos nas primárias do Partido Republicano. “Ele superou a todos porque tinha esse discurso radical e, claro, o dinheiro para fazer campanha. Mais dinheiro que os outros”, explica David Fleischer, professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (Ipol/UnB).
No programa, um anti-0bama
Com uma proposta de governo que inclui suspender o plano de saúde Obamacare, reduzir impostos e regulações estatais e reforçar uma política externa que coloca os EUA em primeiro plano, criou um discurso radical que gerou ideias como construir um muro na fronteira com o México, para conter a imigração. “Americanismo, e não globalização, será nosso credo”, disse. “Vou construir um grande muro — e ninguém constrói muros melhor do que eu, acreditem. Vou erguer um grande muro na nossa fronteira sul e fazer com que o México pague por ele”, prometeu.
Narcisista e egocêntrico, o candidato sempre deixou claros seus valores em declarações como “a minha beleza é que sou muito rico” e “todas as mulheres de The Apprentice flertaram comigo, consciente ou inconscientemente”. Trump também desdenhou de questões cruciais, como o aquecimento global. “Está gelado e nevando em Nova York. Precisamos de aquecimento global”, ironizou.
Declarações polêmicas pautaram a campanha à Casa Branca em 2016. Imigrantes hispânicos foram taxados de “estupradores” e violentos, e o vazamento de uma conversa com um apresentador de tevê, em 2005, expôs o lado machista do candidato. “Sou automaticamente atraído pela beleza. Vou logo beijando. Quando você é uma estrela, elas deixam. Você pode fazer qualquer coisa”, dizia no áudio. Trump foi atacado de volta e aliados como Condelezza Rice, secretária de Estado no governo de George W. Bush, publicaram post no Facebook retirando apoio ao candidato.
“No geral, ele apela para eleitores brancos que têm ressentimentos raciais e estão infelizes com a maneira como as correntes majoritárias do Partido Republicano tratam temas como mercado e imigração”, explica Robert Shapiro, professor da Universidade de Columbia (Nova York) e autor do Manual de Oxford da opinião pública americana e da mídia. Segundo o professor, os eleitores de Trump também estariam ressentidos com o partido por não ter impedido a reeleição de Barack Obama, em 2012.
Casado com a modelo eslovena Melania Knauss — terceira mulher depois de Ivana Trump e Marla Maples —, o candidato republicano é pai de cinco filhos, incluindo um menino de 10 anos, nascido em 2006. Frutos do casamento com a modelo tcheca Ivana, Ivanka, Eric e Donald Jr. são os braços direitos e vice-presidentes das empresas. Tiffany, 23, nasceu da união com Marla. Barron, o mais novo, é filho de Melania. Donald Trump nunca se esquivou de agir como celebridade, e todos os divórcios foram extremamente divulgados, incluindo um acordo pré-nupcial com Marla, no valor de US$ 2 milhões. “Hábil negociador e carismático, ele soube criar um personagem de si mesmo, como fazem grandes personalidades no mundo dos esportes, dos negócios e da política”, descreve Antonio Jorge Ramalho da Rocha, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília e especialista em eleições nos EUA.
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