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Após anos de poucas chuvas, escombros da velha Jaguaribara ressurgem



As águas do maior açude do Ceará, o Castanhão, já se distanciaram da velha Jaguaribara. O antigo centro urbano ainda preserva parte do calçamento em pedra tosca, canteiros centrais e alguns alicerces de imóveis comerciais e residenciais. Troncos de árvores ficaram em pé e permanece vegetação típica de área alagada. Agora todo o espaço é ocupado por centenas de bovinos que teimam em pastar numa terra cada vez mais seca e quente.
Doze anos depois de encoberta pelas águas do Rio Jaguaribe, barrada no Castanhão, a velha Jaguaribara ficou na memória dos antigos moradores, que passaram a viver na cidade nova ou se mudaram para outros municípios por desgosto. Um pouco antes de janeiro de 2004, quando houve a cheia repentina da barragem e as terras foram cobertas, o governo já havia mandado demolir edificações para evitar permanência de moradores, chegada de invasores e novos problemas de desapropriação.
Não há paredes em pé, apenas alicerces, calçadas, meio fio, pavimentação em pedra tosca, dois abrigos de passageiros e um pouco de asfalto na chegada à cidade pela antiga avenida central, que dá acesso a uma passagem molhada sobre o Rio Jaguaribe, o caminho velho para Jaguaretama.
Novidade
A novidade nos últimos dez dias foi a chegada das águas oriundas do Açude Orós pelo Rio Jaguaribe. Trouxe alívio para os criadores de bovinos e de outros animais. Represada pela antiga passagem molhada, forma um lago amplo e convidativo para banho de quem ainda por necessidade trabalhar e viver no entorno da antiga cidade.
Acesso difícil
Quem tiver curiosidade e quiser conhecer a antiga cidade, com poucas ruínas, precisa ter paciência e coragem para enfrentar 16 Km da antiga rodovia, que está esburacada e abandonada, a partir da BR-116. "Quase ninguém vem por aqui, a não ser aqueles que trabalham e moram por perto", disse o criador de bovinos, Francisco Torres Pereira Neto, 28. Diariamente, ao lado do vaqueiro Aldemir Pedro da Silva, 37, o criador, pela manhã e tarde, faz o pastoreio dos animais. O gado é criado à solta. "São mais de dois mil bois que estão pastando em toda essa área de vários criadores. Na verdade, não se tem uma conta certa", disse Pereira Neto.
Acesso difícil
Quem tiver curiosidade e quiser conhecer a antiga cidade, com poucas ruínas, precisa ter paciência e coragem para enfrentar 16 Km da antiga rodovia, que está esburacada e abandonada, a partir da BR-116. "Quase ninguém vem por aqui, a não ser aqueles que trabalham e moram por perto", disse o criador de bovinos, Francisco Torres Pereira Neto, 28. Diariamente, ao lado do vaqueiro Aldemir Pedro da Silva, 37, o criador, pela manhã e tarde, faz o pastoreio dos animais. O gado é criado à solta. "São mais de dois mil bois que estão pastando em toda essa área de vários criadores. Na verdade, não se tem uma conta certa", disse Pereira Neto.
Na manhã desta quarta-feira (12), feriado nacional, Pereira Neto levou a esposa e duas filhas crianças para tomar banho no Rio Jaguaribe, na passagem molhada, depois de olhar o gado. O vaqueiro Aldemir e o patrão foram solícitos e caminharam ao lado do repórter entre ruas antigas e alicerces demolidos que estavam submersos há até bem pouco tempo.
"Aqui era o Banco do Brasil", mostra Pereira Neto um alicerce elevado. No interior da agência ainda dá para ver borrachas soltas e ressecadas do antigo piso. A calçada permanece intacta. Mais à frente, na beira do rio, é possível encontrar ruínas do antigo cabaré da cidade, de Luzia Brejeira, e, em frente, o bar de Antonio Wilson. "Era aqui que os homens se divertiam", lembra com um sorriso o vaqueiro Aldemir Silva.
Francisco Torres Neto nasceu na velha Jaguaribara e saiu aos 12 anos de idade com os pais, pouco antes da cheia em 2004. Na cidade nova, a família não se adaptou e voltou para o entorno da barragem, no sítio Olho D´Água. "Lá não tinha emprego e nem em que trabalhar. Aqui dá para criar um gadinho", disse.
A mãe de Neto, a dona de casa, Maria do Carmo Brito Marques, mora em uma casa no sítio Olho D´Água às margens da antiga estrada que dava acesso à velha Jaguaribara. Só há duas casas que permaneceram ocupadas no trecho de 16Km. "A água vem aqui perto. Antes do açude, essa rodagem era muito movimentada, mas agora é deserta", disse. Na via, várias casas estão fechadas. A seca e o distanciamento da água empurraram famílias de agricultores e pescadores para outros municípios. Barracos de piscicultores também estão abandonados. "Só vive aqui quem é teimoso ou gosta muito do lugar", completou.
Temor
O vaqueiro Aldemir Silva, que saiu do sítio Timbaúba, distrito de Alencar, zona rural de Iguatu, disse que, apesar das dificuldades, a vida é melhor. "A gente trabalha mais livre", argumentou. "O nosso medo é que o rio seque se não chover no próximo ano. Como vamos dar água para os animais?" Esse é o temor dos produtores rurais, piscicultores, de quem vive no entorno do maior açude do Ceará, que mais parecia um ´mar´ de água doce.
FIQUE POR DENTRO
Construção de muitas histórias
O Castanhão é oficialmente denominado Açude Público Padre Cícero. Construído no leito do Rio Jaguaribe, a represa está localizada em Jaguaribara e o espelho d´água atinge outros municípios: Alto Santo, Jaguaribe e Jaguaretama. Tem capacidade de acumular 6,7 bilhões de metros cúbicos de água. É o maior do Ceará.
A obra foi iniciada em 1995 e concluída em dezembro de 2002, numa parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
O nome deriva da fazenda Castanhão e a parede do reservatório fica no antigo Boqueirão do Cunha. Na época da construção, houve polêmica sobre a localização, por ser área susceptível a tremores de terra e existência de uma galeria profunda no leito do Jaguaribe.
Para a construção do açude houve necessidade de remoção da antiga sede do município de Jaguaribara, que ficou sob as águas, com transferência de milhares de famílias. Em substituição ao centro urbano submerso, foi construída uma nova cidade planejada - Jaguaribara.
Em janeiro de 2004, houve chuvas intensas, atípicas no Estado e, em fevereiro, o Castanhão transbordou pela primeira vez. Técnicos avaliavam que seriam necessários vários anos para ocorrer o transbordamento da barragem.
FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

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